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Renato Riccioni, postulador da Causa de Canonização
Revisão  texto  em Português  brasileiro Profª Suely Cruz Neves

A HISTÓRIA DAS IRMÃS FAIOLI

gruppo bronzeo

Desde 1989 a praça da cidade de Fiuggi, estado de Frosinone, localizada na região central da Itália, foi enriquecida com um monumento de bronze, vistoso, colocado em frente à Igreja da Imaculada. A obra do escultor Angelo Canevari recorda as três irmãs italianas: Tereza, Cecília e Antonia que, em 1741, depois de terem participado de uma missão popular pregada pelos sacerdotes Tommaso Struzzieri e Gaetano Giannini, começaram, na própria casa, ao lado da igreja de Santo Estevão, a conduzir uma vida retirada. Quando a notícia se espalhou, muitas jovens daquele lugarejo passaram a se reunir junto às irmãs, para aprender práticas devocionais e os princípios fundamentais da religião.
A casa, posteriormente, tornou-se uma verdadeira escola, porque as jovens irmãs não ensinavam apenas orações ou práticas piedosas, mas transmitiam também o saber, o que, naquela época, era um privilégio exclusivo de pouquíssimas mulheres. Assim narram as sóbrias fontes existentes, o início da “santa aventura”, que seria destinada a beneficiar as jovens daquela cidadezinha e, mais tarde, das redondezas até atravessar os oceanos.
targa

Na praça onde está o monumento, inicia-se a Avenida “IRM?S  FAIOLI”, dedicada às três irmãs educadoras e fundadoras, que viveram na cidadezinha de mil habitantes, que naquele tempo se chamava “Anticoli di Campagna”. As três levaram uma vida de consagração a Deus, desenvolvendo à plenitude as virtudes humanas e religiosas.

Tereza (nascida em 11 de dezembro de 1715), Cecília (28 de fevereiro de 1719) e Antonia (10 de junho de 1723), quando a mãe faleceu, tinham, respectivamente, doze, oito e quatro anos de idade. Embora órfãs em tão tenra idade, não se deixaram levar pela tristeza. Souberam reagir graças aos recursos da vida cristã por elas já vividos. A graça divina possibilitou-lhes vivenciar a esperança, tornando-se um emblema para os jovens daquele lugarejo. Transmitiam entusiasmo e encorajavam a todos. Os méritos de seu trabalho tornaram-se reconhecidos e, logo, conseguiram aprovação das autoridades eclesiásticas para sua ação que já contagiava outras jovens para além do território do próprio município.

Elas se retiraram na casa herdada do tio abade, Giuseppe Antonio Rosa, para se dedicarem a uma vida com um estilo cem por cento franciscano. Não demorou para que outras moças as seguissem, participando dos momentos de oração. As três irmãs sentiram a necessidade e o dever de instruir de maneira adequada suas seguidoras na religião, catequizando-as, e na formação humana, ensinando trabalho típico do mundo feminino, para que um dia se tornassem boas cristãs, cidadãs honestas e ótimas donas de casa.
Assim nascia uma “escola” muito original, surgida na simplicidade, espontaneamente, da solicitação das alunas, que eram atraídas pela luz que as três irmãs irradiavam e que elas mesmas haviam escolhido como mestras de vida.
Passaram-se seis anos do início da atividade. Já se percebia a capacidade de organização das mestras e a grande força de vontade que existia também da parte das alunas. E, assim, a casa das irmãs Faioli transformou-se aos poucos em uma verdadeira escola, bem diferente das escolas do nosso tempo, com as devidas licenças das autoridades.

O bispo Dom Giovanni Antonio Bacchettoni, informado pelo cônego, padre Domencio Girolami, que seria em seguida nomeado diretor e promotor da Obra, fez colocar sobre a porta principal da residência das irmãs Faioli, o brasão episcopal, no dia 07 de julho de 1747, evento que marcou e mudou o ritmo de vida daquela cidadezinha com três dias de comemorações. Decretou a fundação, em 17 de agosto de 1747, concedendo um regulamento para guiar a vida interna da pequena entidade. As responsáveis pela instituição foram submetidas a várias avaliações em modalidades diferentes: práticas e teóricas. Mais tarde, obtiveram o beneplácito do Papa Bento XIV. O bispo doou à nova obra alguns bens que permitiram que  conquistasse uma certa autonomia econômica. Tais bens se tornaram uma fonte de renda indispensável, já que a escola, era inteiramente gratuita e havia necessidade de complexas mudanças no edifício, adquirido pelas mestras por conta própria.
Também por decreto, em 11 de agosto de 1749, o bispo concedia ao Conservatório (assim se chamaria a obra), a precária igrejinha de San Domenico, com os haveres que a ela pertenciam.
As irmãs prometeram, em ato civil, registrado no cartório, perante o escrivão Stefano Bizzarri, no dia 8 de dezembro de 1749, que se empenhariam em conduzir para sempre um estilo de vida celibatário, casto e a servir a Deus na casa das mestras pias, beneficiando especialmente as jovens da cidade, na instrução, na educação e no conhecimento da doutrina cristã. E, para garantir uma estabilidade à obra nascente, decidiram doar toda a herança e bens que possuíam à instituição.

As irmãs prometeram, em ato civil, registrado no cartório, perante o escrivão Stefano Bizzarri, no dia 8 de dezembro de 1749, que se empenhariam em conduzir para sempre um estilo de vida celibatário, casto e a servir a Deus na casa das mestras pias, beneficiando especialmente as jovens da cidade, na instrução, na educação e no conhecimento da doutrina cristã. E, para garantir uma estabilidade à obra nascente, decidiram doar toda a herança e bens que possuíam à instituição.

O próprio Senhor Feudal Fabricìo Colonna, solidário com a obra, havia oferecido, várias vezes, ao Conservatório, auxílio, para favorecer o desenvolvimento da escola. Em uma carta datada de 8 de outubro de 1748, Fabricio Colonna escreve ao padre Domenico Girolami: “…Sobre o conservatório, já foi comunicado à Santa Sé a existência do mesmo e estamos aguardando resposta”. Existem vários testemunhos, até de leigos, onde declaram a importância e a admiração pelo trabalho das irmãs Faioli e da obra nascente, considerando os benefícios que a instituição significa para o bem das mulheres, especialmente para as jovens da sociedade que a elas não davam voz e nem vez.”.

Contando com o apoio de Padre Domenico Girolami, amigo do grande santo São Paulo da Cruz, e autor da primeira regra escrita para o Conservatório, em 1780 as irmãs Faioli já haviam dado origem a uma fundação autônoma, em sintonia com a promoção social e humana, como  desenvolviam há cerca de dez anos as Mestras Pias de Santa Lúcia Filippini e da Bem-aventurada Rosa Venerini e as vizinhas Irmãs Cirtecenses da Caridade de Anagni, instituto fundado pela serva de Deus, Claudia de Angelis [1]. Delas, acolheram e vestiram o hábito por quase a vida inteira, até quando puderam, finalmente, vestir o hábito religioso de Santa Clara de Assis.
A partir desse momento, a história muda completamente porque, em 23 de agosto de 1781, quando Teresa, a mais velha das irmãs, havia falecido, o Bispo concedeu às dez companheiras, além do hábito, a regra e permitiu às mesmas emitirem votos de castidade. Assim, as então mestras pias tornaram-se, efetivamente, monjas.

Era o fim, de um período histórico, marcado por contrariedades e sacrifícios , vividos em silêncio e com sempre renovado entusiasmo. Nessa fase conclusiva, Antonia, a caçula das irmãs Faioli, eleita superiora com plenos votos, propôs à comunidade tornarem-se uma família religiosa franciscana, proposta que foi acolhida imediatamente e com muito entusiasmo pela comunidade inteira.
A comunidade já havia passado por duras provações, contrariedades, algumas advindas de seu próprio diretor que, para resolver assuntos de grande importância para a instituição, deixara por um longo período a obra. Além disso, sucederam-se vários bispos que contrariavam o trabalho e a obra das Faioli, traçando uma história na qual não faltavam pobreza, dificuldades de vários tipos, humilhações... Os anos se passaram e, pode-se dizer, tal fase durou cerca de trinta anos.

Quem quiser conhecer  quais eram as diretrizes da espiritualidade  do conservatório de Anticoli, não pode deixar de ler sua primeira constituição que diz o seguinte: “ A meta principal do conservatório seja a de viver em contato com Deus. As mestras que não possuam o espírito de Deus servirão para destruir em vez de construir  a escola. Não se pode ignorar a verdade,  os frutos deste princípio.”
Uma pesquisa histórica revela dados muito significativos; por exemplo, a famosa família Colonna, mandava as filhas dos funcionários  freqüentarem o colégio, e  até de Roma as jovens partiam para se tornarem monjas  no mosteiro de Anticoli, sinal da ótima fama que tinha a instituição que se tornara mosteiro.

Logo após a morte da última das irmãs Faioli, os bispos que se seguiram na diocese, solicitavam às monjas que enviassem outras, que levassem a regiões diversas a experiência de vida, fé e amor vivida pelas irmãs Faioli.

Quem narra esta verdade é a Bem-aventurada Caterina Troiani, que elogia as monjas Anna Vincenza Manaccioni e Serafina Affinati, que migraram para a cidadezinha de Ferrentino, a pedido do bispo da época, Nicola Buschi,  para realizar naquele logradouro o mesmo tipo de obra que fora iniciado e que dera certo em Anticoli. Assim, fundaram o Mosteiro de Santa Clara da Caridade das Irmãs Missionárias Franciscanas do Coração Imaculado de Maria às quais hoje chamamos, carinhosamente, de nossas “primas”.
A nova instituição, brotada do tronco Faioli, criou asas, chegando até a cidade do Cairo, capital do Egito, levando missionárias àquela terra tão distante, a qual fora  palco da história da libertação do povo de Deus.

Até mesmo a pequena Rosa Girolami, símbolo das meninas que seguiram primeiramente as irmãs Faioli, partiu do mosteiro de Anticoli para fundar  uma nova obra na cidade de  Guarcino, sempre a pedido do bispo diocesano e foi também para a cidade vizinha de Alatri.
Explicar tanta fecundidade espiritual não é difícil, quando pensamos na vida radical abraçada pelas irmãs Faioli, a espiritualidade franciscana, o ato heróico de ter deixado tudo, inclusive os bens herdados, bem como toda e qualquer satisfação humana  para seguir o chamado de Deus. Tamanha virtude não poderia  permanecer  sem frutos.
As virtudes e a seriedade da vida conduzida pelas irmãs Faioli passaram por avalições rigorosas.
Em um relato oficial enviado ao Papa Pio VI  pelo bispo Antonini, em 22 de agosto de 1779, este escreve: …”Eu mesmo, visitando aquela região, pude verificar a seriedade , dedicação e zelo com que as irmãs Faioli e as demais discípulas se conduzem: uma vida de fé, amor, dedicação e zelo pela obra e quanto se dedicam , ao serviço e à glória de Deus, percorrendo o caminho da santidade e da perfeição”… E continua: “investiguei sobre o comportamento, a índole, os gestos, os costumes e a postura das apóstolas e obtive somente respostas positivas  que confirmavam plenamente  o que havia observado. Não pude conter a satisfação e a alegria”.
Para saber mais sobre as características de cada uma  das três irmãs, basta consultar o livro “Necrologio delle sorelle defunte” que conta a vida das irmãs falecidas. Em relação às Faioli diz o necrológio:
Tereza Faioli: falecida em 14 de julho de 1779, exercitou a caridade para com o próximo, servindo-o na humildade e no silencio.
Cecilia Faioli: falecida em 13 de dezembro de 1789, viveu dedicando-se à vida de oração, com muita prudência.
Antonia Faioli:  falecida em 21 de janeiro de 1793, entusiasta, exercitou todas as virtudes e exalava a pureza nos gestos  e na palavra.

A Congregação das Irmãs de Santa Clara por elas fundada, passou  finalmente a ser um instituto de Direito Pontifício, com o “Decretum  Laudis”, em 1957, pelas mãos de Sua Santidade Papa Pio XII, e em seguida recupera o nome  “Imaculada” que a caracterizava  desde a fundação.
O instituto, considerando a fama de santidade das três irmãs que se difundira, pediu que fosse aberto o processo para a canonização destas, em 1987. A fase diocesana do processo foi encerrada no dia 1º de julho de 1990. Mas as pesquisas  históricas continuam, para que se possa obter  mais dados sobre a vida, as  virtudes e atos de santidade das servas de Deus.
Os restos mortais das Faioli e das primeiras discípulas estão conservados na cripta da igreja da Imaculada, mais conhecida como igreja de Santa Clara, que fica na praça no centro da cidade de Fiuggi. O local é visitado por multidões de fiéis que, com fé e devoção, rezam e deixam no livro de visitas, pedidos e agradecimentos por graças alcançadas.
Servas exemplares, o testemunho das Faioli ainda continua a inspirar pessoas de todas as idades nos mais diversos lugares do globo. Mesmo anos após sua morte suas vidas falam.
Deus seja louvado pela vida e exemplo de Tereza, Cecília e Antonia que até hoje nos inspiram e edificam!

Renato Riccioni,
postulador da Causa de Canonização

(Revisão  texto  em Português  brasileiro Profª Suely Cruz Neves)


A atividade das Mestras Pias, apoiadda pelo Cardeal M. A. Barbarigo teve inizio em Viterbo no dia 29 de Agosto de 1685, da Rosa Venerini em  San Giovani in Zoccoli, e de 1692 a 1732 em Santa Clara de Montefiascone da Lucia Filippini e Irmã Claudia De Angelis, iniciou  suas obras de Educação em Roma, 1709, na cidadezinha de Segni em 1712, em Anagni, em 1713, Stª Maria de Mattias em  1805 -1866, em Acuto, coma s adoradoras do Sangue Preziosissimo Sangue, ligadas a São Gaspar del Bufalo

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